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“Capitães da areia” – resumo da obra de Jorge Amado

Entenda o enredo da obra

O romance, que retrata o cotidiano de um grupo de meninos de rua, procura mostrar não apenas os assaltos e as atitudes violentas de sua vida bestializada, mas também as aspirações e os pensamentos ingênuos, comuns a qualquer criança

No início da obra há uma série de reportagens fictícias que explicam a existência de um grupo de menores abandonados e marginalizados que aterrorizam a cidade de Salvador e é conhecido por Capitães da Areia Após esta introdução, inicia-se a narrativa que gira em torno das peripécias desse grupo que sobrevive basicamente de furtos Porém, apesar de certa linearidade, a história é contada em função dos destinos de cada integrante do grupo de forma a montar um quebra-cabeça maior

O chefe do grupo Capitães da Areia é um jovem chamado Pedro Bala, um menino loiro e filho de um grevista morto no cais Tinha ido parar na rua por volta dos cinco anos de idade e desde jovem já se mostrava corajoso e o mais capacitado a se tornar o líder das crianças O grupo ocupava um trapiche abandonado na praia e era formado por mais de cinquenta crianças, sendo que algumas vão sendo apresentadas aos poucos durante a narrativa

Outra personagem que merece destaque é Sem Pernas, um menino que uma vez fora pego pela polícia e por isso passou a ser um jovem amargo e que odiava a tudo Por ser manco, às vezes era usado nos assaltos a casas: ele batia nas portas das casas dizendo que era um órfão aleijado e pedia ajuda Ganhando confiança dos moradores, ele descobria o que tinha de valor na casa e depois relatava aos Capitães da Areia

Em certo momento da narrativa, a varíola passa a assustar os moradores da cidade Um dos meninos do grupo contrai a doença e é internado Nessa altura, surge Dora e Zé Fuinha, cuja mãe também morreu por causa da varíola, e eles passam a integrar o bando No início alguns jovens tentaram se relacionar com Dora, mas são impedidos por Pedro Bala, Professor e João Grande Porém, Dora e Pedro Bala passam a ter certo envolvimento amoroso

Certo dia alguns dos meninos foram pegos em um assalto, mas foram protegidos por Pedro Bala e somente ele e Dora foram levados presos Ela foi levada para um orfanato, enquanto Pedro Bala foi torturado pela polícia e mantido preso em uma solitária por oito dias Algum tempo depois, os meninos conseguem ajudar Pedro a se livrar do reformatório e partem para libertar Dora também Porém, encontram-na muito doente e ela passa apenas mais alguns dias com os meninos antes de morrer

Cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista que morrera em uma greve, Pedro Bala passa a se envolver em greves e lutas a favor do povo Assim, movido por ideais comunistas e revolucionários, Pedro Bala passa o comando do bando para outro menino e parte para se tornar um militante proletário

A obra não possui um personagem principal Para indicar um protagonista, o mais apropriado seria apontar o conjunto do bando, ou seja, os Capitães da Areia como grupo Isso porque as ações não giram em torno de um ou de outro personagem, mas ao redor de todos Pedro Bala, o líder do bando, não é mais importante para o enredo do que o Sem-Pernas ou o Gato Pode-se dizer que ele é o líder do bando, mas não lidera o eixo do romance Daí a idéia de que o protagonista é o elemento coletivo, e cada membro do grupo funciona como uma parte da personalidade, uma faceta desse organismo maior que forma os Capitães da Areia

Pedro Bala: líder dos Capitães da Areia, tem o cabelo loiro e uma cicatriz de navalha no rosto, fruto da luta em que venceu o antigo comandante do bando Seu pai, conhecido como Loiro, era estivador e liderara uma greve no porto, onde foi assassinado por policiais

Sem-pernas: deficiente físico, possui uma perna coxa Preso e humilhado por policiais bêbados, que o obrigaram a correr em volta de uma mesa na delegacia até cair extenuado, Sem-Pernas conserva as marcas psicológicas desse episódio, que provocou nele um ódio irrefreável contra tudo e todos, incluindo os próprios integrantes do bando

Gato: é o galã dos Capitães da Areia Bem-vestido, domina a arte da jogatina, trapaceando, com seu baralho marcado, todos os que se aventuram numa partida contra ele Além dos furtos e do jogo, Gato consegue dinheiro como cafetão de uma prostituta chamada Dalva

Professor: intelectual do grupo, deu início às leituras depois de um assalto em que roubara alguns livros Além de entreter os garotos, narrando as aventuras que lê, o Professor ajuda decisivamente Pedro Bala, aconselhando- o no planejamento dos assaltos

Pirulito: era o mais cruel do bando, até que, tocado pelos ensinamentos do padre José Pedro, converte-se à religião Executa, com os demais, os roubos necessários à sobrevivência, sem jamais deixar de praticar a oração e sua fé em Deus

Boa-vida: o apelido traduz seu caráter indolente e sossegado Contenta-se com pequenos furtos, o suficiente para contribuir para o bem-estar do grupo, e com algumas mulheres que não interessam mais ao Gato

João Grande: é respeitado pelo grupo em virtude de sua coragem e da grande estatura Ajuda e protege os novatos do bando contra atos tiranos praticados pelos mais velhos

Volta Seca: admirador do cangaceiro Lampião, a quem chama de padrinho, sonha um dia participar de seu bando

Dora: seus pais morreram, vítimas da varíola, quando tinha apenas 13 anos É encontrada com seu irmão mais novo, Zé Fuinha, pelo Professor e por João Grande Ao chegar ao trapiche abandonado, onde os garotos dormem, Dora quase é violentada, mas, tendo sido protegida por João Grande, o grupo a aceita, primeiro como a mãe de que todos careciam, depois como a valente mulher de Pedro Bala

Padre José Pedro: padre de origem humilde, só conseguiu entrar para o seminário por ter sido apadrinhado pelo dono do estabelecimento onde era operário Discriminado por não possuir a cultura nem a erudição dos colegas, demonstra uma crença religiosa sincera Por isso, assume a missão de levar conforto espiritual às crianças abandonadas da cidade, das quais os Capitães da Areia são o grande expoente

Querido-de-Deus: grande capoeirista da Bahia, respeita o grupo liderado por Pedro Bala e é respeitado por ele Ensina sua arte para alguns deles e exerce grande influência sobre os garotos

Jorge Amado nasceu em Itabuna (BA), em 10 de agosto de 1912, e passou a infância em Ilhéus Aos 19 anos surpreendeu a crítica e o público com o lançamento do romance “O País do Carnaval” Desenvolveu uma literatura politicamente engajada e, nos anos seguintes, publicou “Cacau” (1933), “Suor” (1934), Jubiabá” (1935) e “Capitães da Areia” (1937)

Fez os estudos universitários no Rio de Janeiro, formando-se bacharel em ciências jurídicas e sociais Em 1945 foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo participado da Assembléia Constituinte de 1946 e da primeira Câmara Federal após o Estado Novo Perdeu o mandato em 1948, depois que o PCB foi colocado na ilegalidade Deixou o Brasil e viveu cinco anos na Europa e na Ásia

Com Gabriela, Cravo e Canela (1958) iniciou nova fase literária, marcada por um estilo picaresco, de personagens malandros e bufões Morreu em 6 de agosto de 2001, em Salvador É o romancista brasileiro mais traduzido e conhecido em todo o mundo

Suas principais obras são: “O país do carnaval” (1930), “Suor” (1934), “Mar Morto” (1936), “Capitães da areia” (1937), “Gabriela, cravo e canela” (1958), “A morte e a morte de Quincas Berro d’Água” (1961), “Dona Flor e seus dois maridos” (1966), “Tieta do agreste” (1977), “Farda, fardão, camisola de dormir” (1979) e muitas outras